Revista Universo Místico

Autoconhecimento, bem-estar e espiritualidade

MEDITAÇÃO em tempos modernos

Muitas pessoas pensam em meditação e acham que meditar é ficar sentado sem fazer nada e dizem: “Ah não, isso não é para mim!”
Mas meditação é um grande trabalho. O propósito da meditação é acalmar a nossa mente. Quando ela está apaziguada ficamos livres de desconfortos mentais, e assim a nossa felicidade surge. Se não estivermos em paz, mesmo que tenhamos as melhores condições exteriores, não conseguiremos atingir a felicidade.

Em geral sofremos muito com as nossas flutuações de humor e achamos difícil controlar nossa mente. Quando as coisas vão bem em nossas vidas nos sentimos bem, mas basta algo pequeno sair do rumo daquilo que planejamos que nos irritamos, estressamos ou até mesmo nos deprimimos. Como resultado, ficamos infelizes e também tornamos infelizes os que estão a nossa volta. Nossa mente mais parece um balão ao vento, soprada de um lado para o outro pelas situações exteriores. Isso acontece porque nunca consideramos que não são as coisas em si que nos aborrecem, mas sim, a maneira como reagimos às coisas que nos acontecem.
Treinando a meditação conseguimos controlar a nossa mente, de modo que as coisas exteriores passam a não ter o poder de roubar nossa paz mental e a nossa felicidade. Gradualmente desenvolvemos equilíbrio mental, uma mente estável que fica feliz o tempo todo, ao invés de mentes que oscilam entre os extremos da euforia e do desanimo.

No início quando nos sentamos para meditar nossa mente se agita mais, mas isso se deve ao fato de que estamos observando, o que geralmente não praticamos. Pela manhã nos arrumamos para sair para trabalhar e normalmente paramos em frente ao espelho para ver se estamos bem vestidos, mas nunca paramos para ver se a nossa mente está “bem- arrumada”, não nos questionamos: como está minha mente hoje?

Na verdade quase nunca refletimos sobre a nossa mente. No entanto, é através dela que depende a nossa felicidade, pois apesar de considerarmos que a felicidade depende de algo exterior, ao entendermos que ela é um sentimento, algo que se passa interiormente, vamos compreender que só depende do nosso estado mental.

Para o budismo, meditar não é esvaziar a mente, mas sim, familiarizar a mente com virtude. Porque temos familiaridade com estados mentais não virtuosos, ao meditar contemplamos as desvantagens desses estados e meditamos em seus oponentes. Por exemplo, a raiva, tão comum em todos nós, é capaz de nos levar a atos de extrema maldade. Para controlá-la, contemplamos suas falhas e meditamos nos benefícios da paciência e do amor, oponentes da raiva. Com métodos que Buda nos ensina gradativamente, vamos familiarizando nossa mente com estados mentais virtuosos e nossa vida passa a ser mais leve e feliz.
Imaginem se todas as pessoas do mundo soubessem controlar suas mentes e familiarizá-las com virtude! Certamente não haveria base para lutas, guerras, disputas e violência. Poderíamos viver em um mundo que todos nós queremos: de amor e harmonia.

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